A Terra da Lua Partida
Um Filme documentário sobre os últimos nômades do Himalaia.
No coração do Himalaia, Sonam, um velho nômade, vive com sua tribo em uma das mais adversas e isoladas regiões do mundo, mas uma repentina mudança no clima está secando a maioria dos rios e transformando muitos dos vales em desertos.
Incapaz de sobreviver da forma tradicional e testemunhando o colapso do seu povo, Sonam inicia uma desesperada busca por respostas e soluções para mudar o seu destino.
Uma história de fé e sacrifício de um povo que já esta sentindo diretamente os impactos do aquecimento global e dos atuais percursos da humanidade.
© 2010 Enigma Filmes - 70' HD / Também disponível em 52'

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Crítica por Christian Jafas
Crítica por Christian Jafas
10/10/2010 - Almanaque Virtual
Marcos Negrão e André Rangel filmaram o curta-metragem Urubus têm Asas, grande vencedor do Festival do Rio 2008, e depois partiram para uma aventura inesperada nas montanhas do Himalaia. A história de A terra da lua partida (The broken moon, 2010) é tão impressionante que em certos momentos chegamos a duvidar se estamos de fato vendo um documentário. A belíssima fotografia somada ao entrosamento entre equipe e personagem faz o filme ter um ar de ficção. É impossível não associar a obra ao marco do cinema documental, Nanook do Norte, feito em 1922 por Robert J. Flaherty - sem dúvida uma referência para os jovens diretores.
A câmera de Negrão é acolhida pela tribo de Sonam, um velho nômade, que tem a árdua missão de sobreviver numa das regiões mais inóspitas do planeta, nas montanhas do Himalaia. O aquecimento global que está mudando o clima pelos quatro cantos da Terra também começa a alterar a rotina da região. Sonam não entende porque o inverno está mais rigoroso ou porque o rio está secando mais cedo. As recentes e, até então, inexplicáveis mudanças afetam a frágil harmonia da tribo e levam os jovens a buscarem uma nova vida nos centros urbanos mais próximos. O filho de Sonam é um dos que pensam em partir e o embate com o pai é inevitável.
O documentário nos oferece um rico registro de um povo que por séculos se acostumou a enfrentar as mais duras adversidades da natureza, mas que agora, nem mesmo com a secular tradição, passada de pai para filho, parece dar conta dos problemas causados pela súbita mudança do clima. Se nas montanhas eles são homens livres, donos de rebanhos e da própria residência, na cidade vivem do artesanato e são tratados como mendigos pela sociedade urbana. Uma vida que Sonam não quer para o filho que um dia será o futuro líder da tribo.
Os diretores não tinham como saber exatamente o que se passava na aldeia, nas conversas e discussões, já que o guia-tradutor não conseguia traduzir a totalidade das falas. Foi apenas na ilha de edição, após as entrevistas serem todas traduzidas para o inglês que Negrão e Rangel perceberam a extensão do problema e a riqueza do material captado. Um golpe de sorte, mas a sorte não premia quem trabalha?
A montagem não tem pressa, não acelera, permite a reflexão e faz o público entrar no cotidiano da tribo, intercalando entrevistas com situações e espaços vazios. Um trabalho preciso que nos oferece o tempo necessário para admirarmos as belas paisagens do Himalaia e que não sucumbe à ditadura do corte, apenas deixa a imagem repousar na tela até ser fixada pela nossa retina. O contraste entre a calmaria da aldeia e a correria da cidade acontece sem ser preciso alterar o ritmo da edição. A câmera observa a cidade da mesma forma que observa a montanha, mas na selva de concreto os estímulos visuais poluem o ambiente e parecem saltar da tela.
A terra da lua partida conta uma história tão distante, a de um povo nômade no Himalaia, mas consegue nos atingir como se fosse um causo de bairro ou quem sabe um problema na família. Ao vermos o conflito entre pai e filho, a procura por uma vida melhor ou a tentativa de adaptação na grande cidade estamos vendo algo semelhante ao que acontece diariamente no Nordeste brasileiro. Marcos Negrão e André Rangel foram do outro lado do mundo para encontrar o diferente e voltaram para casa com questões universais. Prova que o mundo está globalizado não só na economia, mas também nos graves problemas ambientais.
10/10/2010 - Almanaque Virtual
Marcos Negrão e André Rangel filmaram o curta-metragem Urubus têm Asas, grande vencedor do Festival do Rio 2008, e depois partiram para uma aventura inesperada nas montanhas do Himalaia. A história de A terra da lua partida (The broken moon, 2010) é tão impressionante que em certos momentos chegamos a duvidar se estamos de fato vendo um documentário. A belíssima fotografia somada ao entrosamento entre equipe e personagem faz o filme ter um ar de ficção. É impossível não associar a obra ao marco do cinema documental, Nanook do Norte, feito em 1922 por Robert J. Flaherty - sem dúvida uma referência para os jovens diretores.
A câmera de Negrão é acolhida pela tribo de Sonam, um velho nômade, que tem a árdua missão de sobreviver numa das regiões mais inóspitas do planeta, nas montanhas do Himalaia. O aquecimento global que está mudando o clima pelos quatro cantos da Terra também começa a alterar a rotina da região. Sonam não entende porque o inverno está mais rigoroso ou porque o rio está secando mais cedo. As recentes e, até então, inexplicáveis mudanças afetam a frágil harmonia da tribo e levam os jovens a buscarem uma nova vida nos centros urbanos mais próximos. O filho de Sonam é um dos que pensam em partir e o embate com o pai é inevitável.
O documentário nos oferece um rico registro de um povo que por séculos se acostumou a enfrentar as mais duras adversidades da natureza, mas que agora, nem mesmo com a secular tradição, passada de pai para filho, parece dar conta dos problemas causados pela súbita mudança do clima. Se nas montanhas eles são homens livres, donos de rebanhos e da própria residência, na cidade vivem do artesanato e são tratados como mendigos pela sociedade urbana. Uma vida que Sonam não quer para o filho que um dia será o futuro líder da tribo.
Os diretores não tinham como saber exatamente o que se passava na aldeia, nas conversas e discussões, já que o guia-tradutor não conseguia traduzir a totalidade das falas. Foi apenas na ilha de edição, após as entrevistas serem todas traduzidas para o inglês que Negrão e Rangel perceberam a extensão do problema e a riqueza do material captado. Um golpe de sorte, mas a sorte não premia quem trabalha?
A montagem não tem pressa, não acelera, permite a reflexão e faz o público entrar no cotidiano da tribo, intercalando entrevistas com situações e espaços vazios. Um trabalho preciso que nos oferece o tempo necessário para admirarmos as belas paisagens do Himalaia e que não sucumbe à ditadura do corte, apenas deixa a imagem repousar na tela até ser fixada pela nossa retina. O contraste entre a calmaria da aldeia e a correria da cidade acontece sem ser preciso alterar o ritmo da edição. A câmera observa a cidade da mesma forma que observa a montanha, mas na selva de concreto os estímulos visuais poluem o ambiente e parecem saltar da tela.
A terra da lua partida conta uma história tão distante, a de um povo nômade no Himalaia, mas consegue nos atingir como se fosse um causo de bairro ou quem sabe um problema na família. Ao vermos o conflito entre pai e filho, a procura por uma vida melhor ou a tentativa de adaptação na grande cidade estamos vendo algo semelhante ao que acontece diariamente no Nordeste brasileiro. Marcos Negrão e André Rangel foram do outro lado do mundo para encontrar o diferente e voltaram para casa com questões universais. Prova que o mundo está globalizado não só na economia, mas também nos graves problemas ambientais.
